YUKI NO HARU

 

 

 

Autora: Sango-Web

 

 

Capítulo 2
Eu Caso

 


-Pai, que história é essa de noivo!-perguntou exasperada.


-Acalme-se minha filha, vamos conversar.-pedia o rei Higurashi.


-Eu não quero conversar! Eu só quero que o senhor desfaça esse noivado!-exclama Kagome, fazendo círculos ao redor da mesinha de centro da sala.


-Não posso, esse casamento é importante. É necessário!-tentava explicar.


-O que é necessário? Arruinar a minha vida?-perguntou Kagome, com os olhos marejados.


-Minha flor, me escute.-pedia seu pai, sentando-se no sofá, fazendo menção para que Kagome se sentasse ao seu lado, o que foi obedecido pela garota.- Deixe-me explicar o porque disto.


-Pode começar.-disse chorosa.-espero que tenha uma explanação plausível para tornar a minha vida um inferno!


-Você sabe que o mundo é dividido entre o reino youkai e o reino humano, e que estas duas raças vivem entre conflitos e desentendimentos.


-E em que isso se relaciona ao meu recente e maravilhoso noivado?-dizia num tom de visível sarcasmo, que foi ignorado por seu pai.


-Essas duas raças vivem entre guerras e preconceitos. Por isso, eu e o rei Inutai chegamos a conclusão de que isto não poderia continuar, já que as mortes e desavenças de ambos os lados vinham aumentando a cada dia. E decidimos que o melhor a fazer era criar uma aliança entre os dois reinos, tornando-os um único, pelo casamento dos dois herdeiros mais jovens. No caso é você, Kagome, e InuYasha.


Kagome ficou ponderando por um que a situação em que o povo se encontrava não era das melhores. Não queria se casar contra vontade, entretanto...


-Meu pai, eu...eu me casarei. Se é para o bem do meu povo, nada posso fazer, a não ser concordar. Diga-me, meu pai... quem é InuYasha?-perguntou, já mais conformada com a sua atual situação.


-Não se lembra dele, minha flor?-perguntou, recebendo um aceno da cabeça de Kagome, que confirmava que não sabia.- É aquele garotinho dos cabelos prateados e olhos dourados. O das orelhinhas de cachorro.


-O baixinho? - perguntou para si mesma.- Ah não, meu pai! Não quero casar-me com ele! Justo ele? Lembro-me bem, ele era arrogante, grosseiro e indelicado. Chamava-me de víbora! Sem contar que não cansava de lembrar-me que eu era... ahn... meio.. fora do peso! E nunca me chamava pelo nome! Eu detesto aquele pirralho! Ele é repulsivo!


-Kagome, ele não é mais uma criança. Cresceu. Não deve julgar alguém que não vê a 10 anos. - dizia o rei, passando a mão pelo ombro da filha. - não se inquiete, terão tempo para se conhecer melhor.


-Nos conhecer melhor? - inquiriu curiosamente.


-Sim, ele e sua família virão para cá novamente, ficarão para o casamento de vocês. E nos meses que se antecederão a ele, terão tempo de sobra para isso. Chegarão dentro de três dias.


-Se o senhor diz... que seja. Agora, com sua licença, meu pai, eu irei fazer uma visita a Sango. Ela pediu-me para ajuda-la a colher algumas ervas. - disse.


-Claro, minha flor. Até o jantar! — falou o rei Higurashi, despedindo-se.


OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO


Em outro lugar muito distante, mais especificamente no quarto de um príncipe, no reino de Inutai, um homem discutia com seu filho.


-Eu não vou me casar! De maneira nenhuma eu vou fazer esse absurdo! - gritava um rapaz.


-Você vai InuYasha! Quer queira, quer não! Já lhe expliquei o porque deste casamento. - respondia seu pai.
InuYasha estava com 18 anos. Seus cabelos prateados haviam ficado mais longos e brilhantes, adquirira um porte atlético e crescera muito. Suas garras ficaram mais longas e seus olhos obtinham agora, um dourado mais vívido. Mas mesmo com o tempo, sua personalidade em nada havia mudado.


-Eu não estou nem aí pra isso! Eu não quero ficar preso a alguém pelo resto da vida! - rebatia InuYasha. - Que se danem esses malditos conflitos entre as duas raças! Se eles estão nessa situação é porque eles querem! Ninguém pediu para que fossem inimigos!


-InuYasha, eu não quero discutir com você! Já lhe disse que é necessário!


-Porque eu? Poderia ser muito bem o Sesshoumaru! - dizia InuYasha.


-Eu não posso mudar as coisas, esse noivado foi feito há 10 anos! Acha que eu poderia muito bem desfaze-lo? Não é assim tão simples, isso só desencadearia mais uma guerra! - respondia seu pai.


-Mas...eu não quero me casar. - dizia novamente.


-InuYasha, não discuta comigo. Por acaso quer ser deserdado? - dizia ameaçadoramente, nunca deserdaria seu filho, de verdade. Entretanto estava usando isso como um meio de tentar convence-lo a se casar.


-Não me importo com dinheiro! - respondeu decidido. - Não há nada que me faça mudar de idéia quanto a isso!


-Ah não? - perguntou seu pai. Já sabia o que fazer. - Se não aceitar... ficará sem ramen... pelo resto da vida!


InuYasha ficou olhando-o indignado. Não era justo, o ramen não podia ser lhe tirado.


-Isso é golpe sujo! O Ramen não tem nada a ver com isso! - rebateu InuYasha.


-Não quero desculpas, ficará sem ramen. Não precisa casar-se filho, agora que acabamos nossa conversa, eu vou na cozinha pedir para que joguem o ramen fora... - disse, agora não havia como InuYasha dizer um ‘não’.


-Eu caso. - disse já derrotado. - Mas eu só vou casar por causa do ramen! Que fique bem claro!


-Claro, não precisa me dar explicação. Iremos para o reino Higurashi hoje mesmo, vá fazer suas malas (eu não sei se nessa época havia malas, mas eu não sei o que eles usavam para levar as coisas). - disse por fim.. - Ah, e diga para o Miroku que ele também irá.


-Eu aviso. A propósito, quem é a minha noiva? - perguntou, está certo que não queria se casar, mas pelo menos ele tinha que saber quem era.


-A Kagome Higurashi. - respondeu Inutai.


-Kagome Higurashi... Kagome Higurashi... -repetia, como se o fazendo, vasculhasse sua memória, em busca de possíveis lembranças. - Kagome! A...a..a…aquela garota? Eu vou me casar com aquela víbora horrorosa!


-InuYasha! Ela não é uma víbora horrorosa! - disse seu pai.


-Ela é sim! Não poderia ter arranjado uma esposa mais bonitinha? Nem por um pouquinho só que fosse? - falou, fazendo um gesto com a mão.


-InuYasha, pare de ficar falando essas coisas horrendas a respeito da princesa!-disse, abrindo a porta do quarto de seu filho para sair.-E não demore.


-Tudo bem.-falou ao seu pai, logo em seguida jogando-se na cama.-Isso é ridículo.


OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO


-Sango, cheguei!-disse, puxando uma cortina de uma espécie de tenda enorme, onde alguns incensos eram queimados.


-Oi Kagome!Podemos ir?-perguntou.


Sango era uma moça bonita e decidida.Possuía cabelos compridos que iam além de sua cintura e orbes lilases e expressivos. Tinha um corpo bem moldado e uma altura mediana, vestia uma blusa de algodão, que deixava seus ombros à mostra e eram soltos nos braços, com a parte de baixo amarrada em um laço, acima do umbigo, que deixava sua cintura à mostra. Uma saia rodada com muitas camadas coloridas, que iam além de seus joelhos. Sandálias simples, típicas de camponeses, e nos cabelos usava uma bandana de cor clara, que possuía nas pontas, pequeninas moedas de ouro, que faziam barulho quando o vento batia em seu rosto ou balançava seus cabelos. Uma típica roupa cigana.


Fazia parte de um grupo de ciganos locais, que faziam shows de dança durante a noite, liam mãos e cartas e vendiam amuletos da sorte.


As duas eram muito amigas, e todo o dia Kagome ia visitá-la.Raramente Sango passava algum tempo no reino Higurashi, mas quando ia era muito bem recebida, tratada como parte da família.


Sango e Kagome estavam no vilarejo, colhendo algumas ervas que Sango usava para fazer chás.


-Kagome, combinamos de nos encontrar hoje, mas você se atrasou muito.Por que?-perguntou Sango, ajoelhada sobre a grama, enquanto buscava alguma erva que crescia perto da relva.


-Vou casar.-disse normalmente, enquanto colhia algumas frutas.


-O QUÊÊÊ?-perguntou, deixando a cesta que carreava cair no chão, e correndo até a amiga, logo em seguida a balançando para frente e para trás.-Com quem?Com quem?É com o Houjou?


-Calma Sango! Para de me sacudir! - pediu, o que foi obedecido.-É lógico que não vou casar com o Houjou!


-Com quem então?Por que não me contou antes?Que tipo de amiga você é Kagome?


-Calma, eu não sabia que ia casar!Eu não sabia!Eu juro!-disse, tentando fazer com que a amiga se controlasse.


-Kagome, essa história está muito mal contada!Como alguém não sabe que vai se casar!-dizia Sango, ainda indignada.


Kagome então explicou tudo para ela.Que depois disso ficou mais calma.Sango era um tanto nervosa.


-Puxa, que horrível!E você nem sabia que ia se casar!


-Pois é, sente só o drama da minha vida.-dizia Kagome, enquanto sentava do lado da amiga.


-Mas...me diz aí Kagome.-disse baixinho, com um sorriso travesso, cutucando a amiga nas costelas, com o cotovelo.-Esse tal de InuYasha...é bonito?


-Sango!-disse completamente rubra.-Eu não sei!Quando o vi éramos apenas crianças, mas...eu duvido que aquele grosseiro tenha ficado diferente da noite pro dia.


-Kagome, faz 10 anos, não apenas 24 horas ¬¬.-disse explicativa.


-Umpth!Que seja...aposto que continua o mesmo baixinho chato de sempre!-concluiu, virando o rosto, mostrando convicção.


OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO


Três dias depois, numa carruagem, dois jovens estavam sentados na traseira do transporte, enquanto os outros familiares, no caso o rei Inutai, a rainha Izayoi e o irmão de InuYasha, o príncipe Sesshoumaru, estavam na parte frontal.


-InuYasha, como ela é?Ela é bonita?Qual a idade dela?-perguntava um rapaz de maliciosos olhos azuis, que mais pareciam duas enormes safiras.


-Não me amole Miroku!Já disse que não me lembro!-disse InuYasha, já irritado com as insistentes perguntas do garoto.


-Miroku era um rapaz inteligente e engraçado.Possuía lindos olhos azuis e um corpo bem malhado.Era um tanto malicioso e pervertido.


-InuYasha você é muito sem graça.Deveria estar bem ansioso para conhecer essa tal de Kagome.Se ela for bonita, como for o nome.Você está feito na vida!-dizia dando tapinhas nas costas do amigo.


-Primeiro, a Kagome é uma víbora horrenda, gorda e chata!Segundo, ela NÃO é bonita como nome!E terceiro, dá pra parar de me fazer essas perguntas?!-disse quase gritando.


-Tudo bem, não ta mais aqui quem falou.-disse tentando acalma-lo.-No seu lugar eu estaria muitíssimo satisfeito!Não é todo dia que se casa com uma princesa maravilhosa!


-Miroku, já lhe disse. Aquela garota não deve ter mudado nada desde a vez que a conheci.-disse com ar pensador.- Ela era gorda, irritante, enjoada, feia, orgulhosa... resumindo, ela é a garota que eu menos gostaria de ter conhecido em toda a minha vida!


-Nossa...ela é tão ruim assim?- perguntou, mais para si mesmo do que para InuYasha.-Que pena, eu ia pedir para ela ter um filho meu, mas do jeito que você fala dela... acho melhor não. Não faz mal! Devem ter muitas outras moças atraentes e bonitas por lá!


-Você não muda...¬¬.-disse, observando o olhar sonhador do rapaz ao seu lado.


-Chegamos!-anunciou o cavalariço, parando a carruagem próxima ao local.


-Enfim voltamos ao reino Higurashi!-disse feliz, Izayoi.

 


 

CAPÍTULO ANTERIOR / PRÓXIMO CAPÍTULO